Idealismo X Empreendedorismo - Ideias, “pés no chão” e dinheiro. Tudo em equilíbrio.
No mundo das ideias (agora sem acento)
Sempre que empreendedores provenientes de incubadoras das universidades ou mesmo de mentes inovadoras do mercado de trabalho têm uma idéia fantástica, nasce um sonho de uma grande realização.
Em geral estes sonhos são alimentadas entre amigos, sócios ou colegas de faculdade com grande empolgação. Nesta fase, a ingenuidade é o lubrificante para que as idéias cresçam sem limites racionais. A utopia é um combustível poderoso desta divertida farra.
Quando a idéia começa a amadurece, o idealista deve dar lugar ao “entrepreniur”. Não está familiarizado com o termo? A Wikipédia te salva.
Empreendedor é o termo utilizado para qualificar, ou especificar, principalmente, aquele indivíduo que detém uma forma especial, inovadora, de se dedicar às atividades de organização, administração, execução; principalmente na geração de riquezas, na transformação de conhecimentos e bens em novos produtos – mercadorias ou serviços; gerando um novo método com o seu próprio conhecimento. É o profissional inovador que modifica, com sua forma de agir, qualquer área do conhecimento humano. Também é utilizado – no cenário econômico - para designar o fundador de uma empresa ou entidade, aquele que construiu tudo a duras custas, criando o que ainda não existia.
Por realizar tudo isto em um país que retém mais de 60% do capital das empresas e que não dá incentivos fiscais suficientes ao novo empresário, o empreendedor Brasileiro deveria ser considerado um herói.
Para concretizar o projeto, precisam de dinheiro, claro. É aí que entram os investidores de capital de risco. Se o projeto der certo, os dois lados lucram.
Colocando os “pés no chão”
Um Business Plan ou Plano de Negócios como eu prefiro chamar é uma ferramenta fantástica. Eu pessoalmente já estou no meu oitavo Plano de Negócios. Cada vez que faço um novo, surpreendo-me ainda mais com um aspecto em particular: a capacidade que ele tem de colocar nossos pés no chão.
É claro que um empresário do tipo “Padre Voador” (a CNBB que me perdoe), não consegue ter os pés no chão nem com uma ferramenta como esta. Mas qualquer pessoa com a mínima seriedade e bom senso não cometerá auto sabotagens que desvirtuem a função do Plano de Negócios.
De fato, o processo da criação de um Plano de Negócios é tão realista que chega o momento em que o empresário depara-se com as questões mais fundamentais como a análise da concorrência e do mercado.
Neste momento o até então ingênuo idealista começa a deparar-se com dados como um concorrente inesperado ou um mercado ainda não preparado para aceitar sua inovação.
De modo ainda mais cruel, o Plano de Negócios faz o idealista notar que provavelmente não terá dinheiro nem para obter uma análise de mercado madura (contratando uma empresa profissional deste ramo), quem dirá para realizar o seu ambicioso sonho de inovar o que quer que seja.
Se sua idéia não é simples o suficiente para dispensar a necessidade de investimento, e se você não é um magnata ou acertador da loteria, então você precisará de um anjo.
Figuras conhecidas nos Estados Unidos, os investidores-anjo e os fundos de venture capital e capital semente começaram a aparecer por aqui de maneira tímida, na década de 90, e ganharam adeptos gradualmente nos últimos anos. Mas a grande onda parece estar em formação neste momento.
Como funciona o investimento de capital de risco?
O investimento geralmente é feito por meio de fundos, que aplicam em empreendimentos de pequeno porte, com faturamento anual de até R$150 milhões, que tenham potencial de crescimento forte com um ou várias injeções de capital feitas pelos cotistas.
Os segmentos que têm sido priorizados por esses fundos são os que envolvem componente forte de inovação, como Tecnologia da Informação, biotecnologia ou nanotecnologia. Mas também investimentos que fogem desse padrão.
Os investidores se tornam sócios dos empreendimentos e geralmente participam no desenvolvimento do negócio, seja diretamente ou como uma espécie de consultoria de gestão e profissionalização. Os fundos duram, em média, entre seis e oito anos. Metade do tempo é o chamado período de investimentos, que é seguido por uma maturação e depois vem o desinvestimento, quando o projeto alcançou o tamanho desejado.
A porta de saída geralmente é por meio da venda da participação dos fundos para empresas do setor ou por uma abertura de capital, com venda da fatia a investidores de mercado. Esses investidores costumam ter relacionamento próximo com pólos de produção de conhecimento, como as universidades e as chamadas “incubadoras”.
A meta é que, ao fim, o ganho fique em cerca de IPCA mais 25% ou 30% ao ano. Numa carteira com cerca de oito empreendimentos, os gestores estimam que dois ou três podem dar errado e até gerar perda, outros dois ou três podem apenas empatar o dinheiro investido ou dar um retorno não tão atraente, mas em torno de dois deles tendem a render ganho muito elevado.
Os Tipos de Aplicação
Fundos de Venture Capital - São os fundos com a filosofia tradicional do capital de risco. No Brasil, a maioria investe em empresas de pequeno e médio porte com forte componente de inovação ou que forneçam produtos ou serviços para as grandes empresas. A maioria dos investidores é institucional (fundos de pensão) ou pessoa física.
Capital Semente - São fundos de capital de risco que investem em projetos que ainda não são operacionais, também conhecidos como “startup”, Ou seja, que dependem do investimento para sair do papel. No Brasil, os fundos exclusivos para capital semente começaram a aparecer muito recentemente e, em geral, os investidores eram pessoas físicas, mas alguns institucionais já começam a aplicar. No capital semente, geralmente se exige um ganho um pouco superior ao dos fundos que aplicam em projetos já operacionais, pois o risco é maior. Alguns fundos misturam aplicações do tipo capital semente com outras em empresas já operacionais.
Investidor Anjo - Geralmente são empresários, herdeiros ou outras pessoas físicas de alto poder aquisitivo e com conhecimento de determinado mercado, que vislumbram uma possibilidade de investimento num projeto de um pequeno empreendedor em fase inicial ou pouco desenvolvida. Os anjos injetam recursos e conhecimento para impulsionar o negócio, porém fazem isso sem montar uma estrutura de fundo. Na maioria dos casos, os anjos se organizam em “redes”, ou seja, vários investidores individuais que se reúnem periodicamente para trocar idéias e avaliar projetos.
Os anjos de Floripa
Em Florianópolis, já existe um grupo de investidores de olho no inovador mercado de tecnologia do estado de Santa Catarina.
Os associados da Floripa Angels são pessoas físicas ou jurídicas com forte interesse em financiar empresas em fase inicial, também chamadas “start up”.
Nosso foco de investimento preferencial são empresas de tecnologia, em sua maioria provedoras de serviços de internet, softwares e sistemas digitais.
Além do foco em empresas de tecnologia em fase pré-operacional ou recém-criadas e que apresentem alto potencial de crescimento, nosso foco geográfico busca priorizar oportunidades no Estado de Santa Catarina.
Segundo ainda o website dos Floripa Angels, eles formam um time heterogêneo de empreendedores e executivos com vasta experiência profissional. A maioria dos membros foram ou são presidentes de empresas, fundadores, ou executivos seniores em bem-sucedidas iniciativas empresariais.
Uma visão cheia de esperanças e realismo
O caminho da realização é longo e definitivamente para os fortes. Aqueles que resistirem passar por toda esta olimpíada que resumi acima, ainda assim encontrarão um mercado incerto cheio de armadilhas mas muito carente de novidades. Como explorado anteriormente neste blog na publicação Recorde de transmissão de dados. E-S-P-A-N-T-O-S-O!, o momento da sua inovação também deve ser o certo.
E se todos estes fatores forem bem sucedidos, provavelmente o seu empreendimento será um feito histórico. Quando isto acontecer, conte-me. Quero ser o primeiro a te chamar de herói.
Não, não é uma visão pessimista. É definitivamente realista e cheia de esperanças e experiências.
Compartilhem as suas experiencias comigo!
ATUALIZAÇÃO
Leiam também: Capital de risco para empresas nascentes
Etiquetas: Dinheiro, Empreender, Financiamento, Inovação, Investimento, Plano de Negócios, Sucesso

23 de September, 2008 às 12:10 pm
Parabéns pelo Blog, Cristiano.
Forte abraço. Sucesso!!
Clayre Leane Werlich
Diretora Executiva
Consultare Assessoria & Consultoria
(48) 3035.3790 / 8411.6325
WebSite: http://www.consultareconsultoria.com.br
23 de September, 2008 às 7:34 pm
Caro Cristiano,
Além da Floripa Angels, há outras redes de investidores-anjo em atuação no país. Dá uma olhada: http://www.venturecapital.gov.br/vcn/anjos.asp
Um abraço,
Marcelo
24 de September, 2008 às 12:41 am
Cristiano,
não é por pouco que Floripa arrebatou a posição de 2o. PIB do Estado em 2002, ao mesmo tempo em que o segmento industrial de base tecnológica superava o de turismo em sua participação na geração de riquezas.
Somos um mercado pequeno demais para absorver essa produção de R$ 3 bilhões e 200 mil. Mas, com gestão qualificada e visão global, a cidade tem atraído investimentos e investidores e se re-inventado, desenvolvendo produtos e serviços exportáveis (tanto para outros países como para outros Estados e regiões).
Obrigado pelos links preciosos. Seu blog vem acumulando relevância, pelos assuntos abordados e pelas relações tornadas possíveis.
24 de September, 2008 às 3:27 pm
estou acomapnhando seu BLOG parabéns!, textos maravilhosos!
obrigado
24 de September, 2008 às 7:00 pm
Fala rapaz, parabéns por este post. Muito importante esta visão que trazes. O crescimento do setor aliado com projetos de investidores, como é o caso da Floripa Angels, irão fazer o segmento crescer exponencialmente nos próximos anos. Espero poder acompanhar (e divulgar) este momento.
28 de September, 2008 às 7:51 pm
[...] última publicação deste Blog escrevi sobre empreendedorismo e todas (ou quase) as suas fases. Sobre o equilíbrio [...]
15 de October, 2008 às 9:11 pm
[...] publicação anterior intitulada “Idealismo X Empreendedorismo - Ideias, “pés no chão” e dinheiro. Tudo em equilíbrio.“, falei sobre, dentre outros assuntos, as características mais comuns do empreendedor em [...]
24 de June, 2010 às 7:14 pm
EMPREENDER PARA CRESCER É O LEMA ATUAL EU TENHO MUITO O QUE FALAR PARA O BRASÍL SOBRE ESSA MATÉRIA.